quinta-feira, 29 de julho de 2010

PENSANDO SOBRE O JEET KUNE DO



Mesmo o Jeet Kune Do não sendo um "estilo tradicional" de Arte Marcial , seus conceitos devem ser profundamente analisados e respeitados por todo Artista Marcial sério.


Jeet Kune Do ( "O modo de se interceptar o punho"), também Jeet Kun Do ou JKD, é um neo-sistema de arte marcial de combate, desenvolvido pelo artista marcial e ator o mestre Bruce Lee.

Recentemente, em 2004, a Fundação Bruce Lee decidiu usar o nome Fan Jeet Kune Do para designar o estilo. O nome faz referência à arte ensinada por Bruce Lee, como pretendia quando ainda vivo. "Jun Fan" é o nome em chinês de Lee, com a tradução literal sendo "O modo de Bruce Lee de se interceptar o punho." Veja mais em O Tao do Jeet Kune Do.

Estilo, sem formas fixas, o Jeet Kune Do é um sistema criado por Bruce Lee, que mais que uma arte marcial, é uma sintêse de seus próprios pensamentos. Em última instância o Jeet Kune Do (Caminho do golpe que intercepta) não se resume à uma técnica, mas essencialmente à uma filosofia advinda principalmente da corrente Taoísta, com influências do Zen Budismo, e de Krishnamurti.

Segundo sua mulher, Linda Emery Lee, Bruce sempre se considerou primeiro um artista marcial, depois um ator.

Aficionado pesquisador marcial, Lee dedicou sua vida à análise das teorias e práticas de sistemas de luta. Percebeu a ineficiência para combates reais advindos dos floreios das técnicas clássicas, que chamava de "desespero organizado". Lee considerava que as técnicas clássicas de luta não estavam preparadas para situações reais de combate, preferindo abordagens mais diretas.

“Se sua vida está ameaçada, você não para e pensa: Deixe-me ver se minha mão está na posição correta, ao lado do meu quadril, ou se meu estilo é O ESTILO. Então, por que a dualidade?” (Bruce Lee)

Bruce acreditava que a velocidade era elemento fundamental do combate, e que as técnicas mais simples eram mais rápidas, tanto em velocidade de reação, quanto de aplicação.

Através de experiências em combates reais, percebeu certa dificuldade de vencer através dos métodos clássicos de seu estilo de Kung-Fu, o Wing Chun, considerado um dos mais diretos. Por essa razão, quebrou a abordagem clássica e se desenvolveu em vários sistemas de artes marciais, unificando-as em um estilo único que chamou de Jeet Kune Do. A principal diferença que Lee estava adotando ao seu estilo era a prioridade para a velocidade, usando para isto golpes lineares, ao invés dos tradicionais movimentos circulares das artes clássicas.

Entre os principais estilos pesquisados e sintetizados por Lee estão o Tai Chi Chuan, Boxe, Judo, Chun Kuk Do, Savate, Aikido, Eskrima,além do Wing chun (Ving Tsun) que estudou na China, junto com o famoso mestre Yip Man.

A abordagem filosófica do Jeet Kune Do é o mais importante do sistema, já que ele não se limita a conjuntos de movimentos. Para Lee o Jeet Kune Do se desenvolve diferentemente em cada tipo de lutador, porque as pessoas são igualmente diferentes, e não possuem as mesmas características físicas e psicológicas. A “liberdade de expressão” era para ele fundamental dentro de uma luta, e acreditava que um sistema marcial restrito, ou um conjunto de movimentos limitava a habilidade de resposta do lutador, que deve ser completa. O lutador eficaz deveria ser capaz de responder a qualquer tipo de situação. Essa era uma de suas principais divergências quanto aos métodos clássicos, que exploram situações de adversários estáticos em seqüências pré-estabelecidas, “dissecando-as como um cadáver”. Para ele o combate era bem vivo, e muito diferente de qualquer abordagem estática.

Entre as principais contribuições técnicas das pesquisas de Bruce Lee estão as teorias sobre a eficiência dos golpes diretos e simples, jabs com os dedos, técnicas e solo, e principalmente, as interceptações.

Do ponto de vista teórico a importância do controle da “distância”, do “timing” e da “cadência”, quebras de ritmo e dos fatores psicológicos do combate.

Sobre o ponto de vista físico, seus métodos de treinamento, alimentação e principalmente da coordenação e acurácia para desenvolvimento de maior potência dos golpes, através do domínio da tensão relaxamento das fibras musculares no momento dos golpes, além dos processos mecânicos envolvidos em cada um.

terça-feira, 20 de julho de 2010

IP MAN-O MAIS FAMOSO NOME DO WING CHUN KUNG FU


Ip Man - (Foshan, China da Dinastia Qing, 6 de Novembro de 1893 - Hong Kong, China, 2 de Dezembro de 1972) nasceu em uma família muito rica, cujo templo era dirigido pelo Mestre Chan Wah Shun, "Wah, o Trocador de Dinheiro", do estilo Wing Chun de Kung Fu.

Ip Man treinou com o Mestre Wah até o seu falecimento, três anos depois. Nessa época ele se mudou para Hong Kong para prosseguir os estudos de graduação.

Ip Man vivia se envolvendo em brigas onde sempre(DIZEM) vencia graças à eficiência de seu Kung Fu. Um dia convidaram-no para enfrentar um senhor de seus 50 anos de idade, que diziam conhecer artes marciais.

Ele aceitou imediatamente e procurou o homem para desafiá-lo. Este o olhou de alto a baixo e sorriu, perguntando se ele havia treinado com o venerável Mestre Chan Wah Shun, de Fatshan e se ele já havia aprendido o Chum-Kiu (segunda forma do estilo Wing Chun).

Ip Man não ouviu o que o homem dizia, pois teria percebido que apenas um conhecedor do estilo poderia saber esses detalhes. Vendo que não havia outra alternativa, o homem disse que Ip Man poderia atacar como quisesse, que ele tentaria não machucá-lo.

Isso enfureceu o adolescente, que atacou diversas vezes. O homem apenas esquivava seus golpes e o jogava ao chão até que Ip Man reconheceu sua derrota. O senhor finalmente se apresentou: era Leung Bik, o segundo filho do Grande Mestre Leung Jan, professor do Mestre de Ip Man.

Ip Man se desculpou e solicitou que o aceitasse como discípulo. Dessa forma Ip Man concluiu os estudos do Wing Chun aos 24 anos, quando retornou a Fatshan.

De volta à sua terra natal, foi acusado de desertor e de ter aprendido outro estilo de Kung Fu. Levou muito tempo para convencer seus colegas do encontro com Mestre Leung.

Ip Man, fiel à promessa feita ao seu Mestre, primeiramente se recusou a ter alunos. Depois da Segunda Guerra Mundial, já pai de família e com a sua fortuna arrasada pela guerra, voltou a Hong Kong para tentar ganhar a vida. Refinado e sem grandes dotes físicos, teve muita dificuldade para arranjar emprego.

Finalmente foi convencido por um amigo a dar aulas de Kung Fu na Associação dos Trabalhadores em Restaurantes de Hong Kong. Com o passar do tempo juntou um punhado de discípulos com os quais fundou sua primeira academia. Seus alunos, entre eles o famoso Bruce Lee enfrentaram muitos desafios que tornaram o Wing Chun famoso e muito procurado.

Em 1967 ele fundou a Hong Kong Wing Chun Athletic Association, entidade que ainda hoje representa aquele estilo em Hong Kong e foi o berço de todos os Grandes Mestres de Wing Chun da atualidade.

Faleceu em 1972, vitmado por um câncer na laringe.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

GRAO MESTRE CHIU CHUK KAI - O GRANDE NOME DO ESTILO TAI CHI LOUVA A DEUS (TAI KEK TONG LONG) DE KUNG FU.


No ano de 1900, na província de Shantung, nasceu o menino Chiu Chu Che (pronuncia-se "tchíu tchú tché"). Aos cinco anos de idade, Chiu Chu Che ficou órfão de pai. Como sua mãe não tinha condições de criá-lo sozinha, um tio levou-o para sua casa. Este tio, porém, tratava Chiu Chu Che muito mal e, por isso, aos dez anos de idade Chiu fugiu de sua casa, indo viver em um mosteiro budista, sob a proteção do abade. Com o abade ele aprendeu Tai Zhu Bei, o "Estilo do Grande Ancestral".

Ao atingir a maioridade, Chiu Chu Che, segundo as regras do mosteiro, teve de optar por tornar-se monge e permanecer no mosteiro ou ir embora. Como não desejava tornar-se monge, ele despediu-se de seu mestre e abandonou o mosteiro.

Algum tempo depois, sobrevivendo de biscates e pequenos serviços, Chiu Chu Che veio a conhecer o mestre Yam Fong Soi. Naquele tempo ainda eram raros os mestres que tinham academias como conhecemos hoje, a maioria não ensinava o seu estilo abertamente e selecionavam muito os alunos que iriam ou não aceitar. Mestre Yam, porém, era uma excessão, ele foi um dos primeiros mestres a ensinar o seu estilo abertamente.

Chiu Chu Che ía quase todos os dias olhar o mestre Yam ministrar aulas aos seus alunos, porém, como era muito pobre e não tinha dinheiro para pagar as mensalidades, não solicitou ser aceito como aluno. Um dia, mestre Yam, tendo já visto Chiu Chu Che muitas vezes em sua academia olhando os treinos, perguntou-lhe se não queria treinar. Chiu Chu Che disse-lhe que gostaria muito e que tinha algum conhecimento de Tai Zhu Bei, mas não podia pagar a mensalidade. Mestre Yam pediu-lhe uma demonstração de Tai Zhu Bei e, impressionado com a habilidade do rapaz, aceitou-o como aluno independentemente do pagamento da mensalidade.
Mestre Yam ensinou Chiu Chu Che durante vários anos. Quando ele atingiu um bom nível de aprendizado do estilo, mestre Yam, vendo que seu aluno tinha ainda muito potencial, recomendou-o ao seu colega, mestre Chi Sao Chong, que era tido como o maior mestre de Tai Chi Louva-a-Deus da época.




Chiu Chu Che viajou para a cidade do mestre Chi Sao Chong com uma carta de recomendação do mestre Yam Fong Soi. Ao ler a carta de seu colega elogiando as habilidades do rapaz, mestre Chi aceitou-o imediatamente como aluno. Mestre Chi era proprietário de uma empresa de segurança, responsável pela guarda de comboios que transportavam mercadorias e valores. Em retribuição aos ensinamentos do mestre, Chiu Chu Che passou a trabalhar em sua empresa como guarda-costas.

Certo dia, em uma de suas missões escoltando comboios, Chiu Chu Che deparou-se com o bando de um famoso bandido da época, muito temido pela sua técnica de facão. Chiu Chu Che e o bandido enfrentaram-se ferozmente. Quando parecia que o combate terminaria empatado, Chiu Chu Che lançou mão de uma de suas especialidades, o dardo com corda, e conseguiu matar o bandido.

A partir desse dia Chiu Chu Che passou a ser chamado de "Chuk Kai" (arroio bambu), pois este era o nome do local onde se deu o combate em que ele matou o famoso bandido. Durante todo o resto de sua vida Chiu Chu Che foi chamado de Chiu Chuk Kai (pronuncia-se "tchíu tchú cái"), sendo que, conforme a cultura chinesa, "Chiu" era o nome de sua família, ou seja, o seu sobrenome como nós costumamos chamar.

Após viver sob a tutela do mestre Chi Sao Chong durante vários anos, Chiu "Chuk Kai" aproveitou uma oportunidade comercial e juntou-se a dois colegas para abrir um negócio de exportação de seda na província de Guandong (Cantão, como era chamada pelos portugueses), mudando-se, assim, para o sul da China. Aproveitando suas horas vagas, mestre Chiu ensinava o Tai Chi Louva-a-Deus, tendo permanecido assim até a Segunda Guerra Mundial.
Com o advento do comunismo na China, mestre Chiu mudou-se para o Vietnã, onde dedicou-se exclusivamente ao ensino do Kung Fu. No Vietnã mestre Chiu chegou a ter 6.000 alunos treinando sob sua supervisão, espalhados por 32 academias. Muitos oficiais do exército sul-vietnamita e até mesmo guarda-costas pessoais do presidente do Vietnã do Sul eram seus alunos.

Mestre Chiu viveu em Saigon durante 20 anos. Com a derrota do Vietnã do Sul na guerra, mestre Chiu mudou-se para Hong Kong, onde permaneceu até sua morte, em 1991. Mestre Chiu ensinou o Tai Chi Louva-a-Deus até os últimos anos de sua vida. Muitos lutadores jovens desafiaram o velho mestre e foram para casa com um maior senso de humildade, pois sua personalidade amável e gentil escondia suas incríveis habilidades de luta.

É praticamente impossível enumerar todos os alunos do mestre Chiu Chuk Kai, tantas foram as pessoas que treinaram com ele. Em Hong Kong, mestre Chiu teve um aluno chamado Tang Sing Ling (pronuncia-se "tán sin lin"), que, mais tarde, transmitiu o estilo Tai Chi Louva-a-Deus ao mestre Li Hon Shui, que veio para o Brasil. Mestre Li conheceu e treinou muitas vezes com o mestre Chiu Chuk Kai, seu "mestre-avô" como costuma chamá-lo carinhosamente.

FONTE: http://taichimantis.blogspot.com/

terça-feira, 6 de julho de 2010

AS FAIXAS COLORIDAS NO KUNG FU


A maioria das pessoas quando escuta falar em arte marcial automaticamente ja pensa nas faixas de graduação.Tipo,que faixa vc é?Quanto tempo demora para se chegar na faixa preta ,etc.
Porém poucos sabem (os leigos no assunto é claro) que no Kung Fu originalmente não são usadas faixas de graduação.
O ocidental leigo então perguntaria:-Ué,mas então como que eles fazem se não tem faixa?
Bom,pode-se dizer que no Kung Fu original (na China) o aluno vai aprendendo conforme vai evoluindo.Não existe tempo pré-determinado para o aluno ficar ou avançar no grau que se encontre.Tudo vai depender da dedicação e capacidade de assimilação do praticante.
Bem diferente do sistema ocidental adotado por aqui ,onde o aluno paga o exame de faixa e se ve com DIREITO de passar.

Aqui no ocidente o Kung Fu tambem se viu obrigado a dividir seu conteudo em graus representados por faixas (alguns estilos não usam faixas,mas camisetas coloridas,emblemas,etc)muito devido ao fato do povo não estar acostumado a uma arte marcial sem uso de faixas.

Porem mesmo com essa inclusão de faixas no Kung Fu "ocidental" é sempre bom lembrar que a atençao de um bom praticante de Kung Fu nãom deve estar na faixa que pretende conseguir,mas sim na evolução pessoal,tanto como lutador,e principalmente como pessoa.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

CHI KUNG - TRABALHANDO A ENERGIA INTERNA


Chi Kung é um termo de origem chinesa que se refere ao trabalho ou exercício de cultivo da energia. Estes exercícios tem a finalidade de estimular e promover uma melhor circulação de energia Chi (energia vital) no corpo.

O Chi Kung não foi criado por um único indivíduo e resulta de milhares de anos de experiências dos chineses no uso da energia para tratar doenças, promover a saúde e longevidade, melhorar as habilidades de luta, expandir a mente, alcançar diferentes níveis de consciência e desenvolver a espiritualidade. Apesar das diversas técnicas de Chi Kung terem se desenvolvido separadamente em diversos locais da China, em muitos casos se influenciaram mutuamente.

Derivado de técnicas milenares conhecidas como Tao Yin, o Chi Kung como é conhecido nos dias de hoje remonta à época da Dinastia Han (206 aC - 220 dC), quando começou a ser sistematizado. O próprio uso do termo Chi Kung é relativamente recente, data do início do século XX, sendo utilizado atualmente para referir-se a múltiplos exercícios, destinados a desenvolver a força (física, energética, mental ou espiritual) ou para fins terapêuticos, mediante a utilização da Energia Vital - Chi, ou Qi.


Fragmentos de diagrama possivelmente representando formas de Chi Kung, encontrado em uma tumba da Dinastia Han, na cidade chinesa de Ma Wang Tui.Um dos documentos históricos mais antigos retratando o que atualmente conhecemos como Chi Kung é o diagrama pintado em seda encontrado na tumba da cidade chinesa de Ma Wang Tui, datado do período da Dinastia Han.

Diversos estudos científicos sobre a eficiência das práticas de Chi Kung e seus princípios estão sendo realizados atualmente (Veja as referências indicadas abaixo entre as "Ligações externas"). Durante os primeiros anos da década de 1970 foram realizadas pesquisas pioneiras sobre o Qigong, que comprovaram seus efeitos no corpo humano e a existência do "Qi" através de métodos científicos ocidentais. Destas se destaca a de Gu Hansen e Lin Houshen, do Instituto de Qigong e Medicina Chinesa de Shanghai, que comprovaram que o Qi pode ser medido por sensores infravermelhos, cujos resultados foram aceitos e debatidos com entusiasmo pela maioria da comunidade científica internacional. Também inovadoras foram as pesquisas do mestre Yan Xin.

Apesar de ainda ser uma prática vista com ceticismo por muitos membros da comunidade médica no ocidente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a incluiu entre as formas de Medicina Tradicional Chinesa que recomenda incluir nos sistemas de saúde, orientação a qual a legislação brasileira atualmente procura se adequar.

Classificações

Bolas utilizadas em práticas de Chi Kung para energizar as mãos.Existem milhares de variações destas práticas, Chi Kung é um termo com um sentido tão amplo quanto o da palavra ginástica no ocidente, podendo ser aplicado a práticas com características muito diversas.

Um dos critérios para sua classificação os dividem em duas linhas, os estáticos e os dinâmicos. Têm em comum a busca da união do corpo e da mente num equilíbrio harmonioso.

Algumas formas de Chi Kung são utilizadas não apenas como uma forma terapêutica de melhorar a saúde do praticante, mas também como um instrumento para tratar da saúde de outras pessoas. A forma mais comum se utiliza da imposição das mãos e da intenção do terapeuta de canalizar ou transmitir um pouco de sua própria energia ao paciente.

Sua prática é também associada a diversas artes marciais chinesas, como o Tai Chi Chuan. Neste contexto, além de ser uma forma de aprimorar a saúde do praticante o Chi Kung também pode ser empregado como método de defesa ou de ataque.

Escolas
Os diferentes tipos de Chi Kung também podem ser classificados em cinco principais escolas, em função das influências recebidas ou de seus propósitos:

Escola Terapêutica (Yi Jia): visa o fortalecimento do corpo e da mente, o tratamento de doenças e a longevidade;
Escola Marcial (Wu Jia): objetiva o fortalecimento do corpo e da mente e o desenvolvimento de habilidades marciais;
Escola Taoista (Tao Jia): tem como principal objetivo o desenvolvimento espiritual, através do controle da respiração e da visualização;
Escola Budista (Fo Jia): objetiva principalmente o desenvolvimento espiritual através da meditação; e
Escola Confucionista (Ru Jia): seu objetivo principal é o desenvolvimento mental/intelectual.
Sistemas
Podem ser destacados entre os sistemas de Chi Kung mais conhecidos na atualidade as seguintes práticas:

Baduanjin : oito peças de brocado
Zhan Zhuang : permanecer quieto como uma árvore
Yijinjing : renovação dos músculos e tendões
Wuqinxi : o jogo dos cinco animais
Lian Gong

domingo, 27 de junho de 2010

WUDANG - BERÇO DO KUNG FU INTERNO



O conjunto das práticas marciais internas divulgadas pelos templos das montanhas Wudang é costumeiramente nomeado Wudang Quan. Esta linhagem taoísta das artes marciais internas é uma das mais antigas da China.
O primeiro a descrever as artes marciais chinesas internas referindo-se ao contraste entre a "escola interna" ou de Wudang e a "escola externa" ou de Shaolin foi Huang Zongxi, em 1669 (conforme o artigo de Stanley Henning indicado na bibliografia abaixo).

Wudang é reconhecida como um dos principais redutos dos praticantes da linha essencialmente interna do Wu Shu (Kung Fu). Seus treinamentos priorizam a meditação e os exercícios de Qi Gong (controle da energia interna).

Wudangquan incorpora em seus treinamentos a teoria do yin yang e a Teoria dos Cinco Elementos (água, madeira, fogo, terra e metal) conforme os ensinamentos do I Ching e da filosofia taoísta fundamentada em Lao Zi. Referências aos movimentos de animais também são comuns em algumas destas práticas.

Os movimentos são treinados integrados às prática internas associadas ao Tao Yin de modo a desenvolver a força interior tanto como método de ataque como de defesa.

Em Wudang se diz: "Tai Chi Chuan não é só forma, como vem acontecendo no mundo moderno. Tai Chi Chuan é "chí", energia vital. Sem o cultivo do Chi, do Tai Chi Chuan resta apenas o corpo".

Nos templos de Wudang são praticados além do Tai Chi Chuan outros estilos de artes marciais internas como o Xing Yi Quan e o Baguazhang.

A prática de Wudangquan é também conhecida por seu treino com armas é muito famosa pelo seu uso da espada reta chinesa (jian). Esta fama é retratada no mangá "O Tigre e o Dragão" e no filme que têm o mesmo título, ambos se baseiam nas mesmas novelas chinesas de artes marciais wuxia.

Wudang e a origem do Tai Chi Chuan

A criação desta linhagem de "taiji quan" (ou tai chi chuan) é atribuída ao lendário mestre taoísta Chang San Feng, considerado por praticantes dos diversos estilos de Tai Chi Chuan como a fonte original de todos os estilos, que teria vivido nas montanhas Wudang.

A origem do Tai Chi Chuan é tradicionalmente relacionada aos ensinamentos dos diversos templos taoístas das montanhas Wudang. Esta prática ainda é realizada diariamente nestes templos seguindo as tradições de centenas de anos atrás, assim Tai Chi Chuan de Wudang pode ser uma referência a esta prática original.

Tai Chi Chuan de Wudang ou Tai Chi Wudang também é o nome adotado pelo Mestre Cheng Tinhung para o estilo de Tai Chi Chuan que divulgou a partir de Hong Kong, esse estilo foi assim nomeado para reconhecer e homenagear Zhang Sanfeng como criador desta arte.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A FILOSOFIA C'HAN E O KUNG FU


BUDISMO CH'AN
Budismo é em essência uma filosofia e não uma religião chinesa no sentido real.
Originou-se na Índia. Buda nasceu no Nepal em aproximadamente 500 a.C. Ensinou que a vida é sofrimento, que tudo é transitório e passageiro e portando cessa de existir. A única certeza é a morte. Tudo isto soa muito negativo e poderia levar os seguidores ao desespero se Buda não tivesse proclamado as quatro nobres verdades:

1 - Tudo é dor.
2 - A causa da dor é o desejo (apego).
3 - Cessando o desejo (apego) cessa a dor.
4 - Para cessar o desejo deve-se seguir a senda dos oito caminhos que são:

1 - Compreensão correta.
2 - Aspiração correta .
3 - Palavra correta.
4 - Ação correta
5 - Meio de subsistência correto (trabalho e alimentação).
6 - Esforço correto.
7 - Percepção correta.
8 - Meditação correta.

Para ser livre é necessário renunciar ao mundo de ilusões. Budismo não reconhece nenhuma divindade onipotente ou deuses. É uma filosofia em síntese. Há muitas escolas diferentes de Budismo e para nós a mais importante é o Ch'an Budismo (Zen).
O Budismo Ch'an rejeita qualquer forma de pensamento racional. O homem precisa descobrir seu centro (e a sua natureza búdica).
Há muitas horas em que o Budismo se torna evidente no ensino do Kung Fu. O treinamento por si próprio envolve sofrimento, através das posturas baixas que o praticante precisa executar para fortalecer o corpo. Durante a aula precisa prestar atenção aos mínimos detalhes nas técnicas, mesmo que pareçam insignificantes e aprender um movimento após o outro.
Um mestre Zen, em resposta a pergunta: " Como alguém deveria selecionar uma técnica de ataque ou defesa ? " disse :
" - Isto não é uma questão de escolha. Precisa ser um processo subconsciente, automático e natural. "Pensar" não deve interferir, ou haverá um atraso no processo e portanto um furo. A consciência seleciona uma técnica e o corpo aplica. Simples assim. Pensar antes de atacar não é o caminho correto. Somente sua consciência, sua intuição esta habilitada a perceber o momento em que deve agir. "


TAOISMO
Provavelmente originou-se 300 a .C. O sábio chinês Lao Tse usou o termo TAO (caminho) pela primeira vez em seu livro de poemas (Tao Te King). Taoísmo não lida com deliberações teóricas, mas com um jeito de viver que precisa ser seguido para ser experimentado.
Experiências vividas por outros (ex: professores), e ensinamentos escritos, fixos, pré-determinados, não conduzirão ao sucesso. Apenas experiências pessoais levarão ao sucesso.
Os homens deveriam viver em harmonia com as leis da Natureza e ver a si próprios como parte dela (Homem = microcosmo - Natureza = macrocosmo).
Lao Tse disse que é errado usar força contra força . Se a força do openente é maior que a nossa, é melhor dar passagem inicialmente para desestruturar o equilíbrio dele e usar a grande força dele contra ele próprio.
Os princípios de luta do WT (deixar a força passar, absorver a força oposta, não opor sua força contra a força superior de um oponente, Wu Wei, etc...) e suas manifestações como esquivas e bloqueios que agem dependendo da força do atacante, claramente indicam qual sistema filosófico fez o papel de padrinho quando WT veio ao mundo.



CONFUCIONISMO
Confúcio (Latinização para Kung-Fu-Tse) nasceu em 551 A. C. na província de Shantung (Cantão). É o mais influente filósofo e pensador chinês e o maior professor da história da China. Dirigia sua própria escola onde ensinava poesia, história e comportamento. Confúcio era o maior exemplo da própria filosofia: " Se os Ancestrais quisessem que a virtude se tornasse aparente no império, primeiro eles colocariam o governo em ordem; se quisessem a própria casa em ordem, procurariam se aperfeiçoar; se quisessem aperfeiçoar a si próprios, deveriam colocar honestidade em seus corações; se quisessem sinceridade de pensamentos, deveriam completar primeiro seus conhecimentos."
O ideal do Confucionismo não é o ascético que despreza o mundo, mas o sábio que mantém a medida certa (Tsun Yung !) em todas as coisas e conhece os caminhos do mundo. O homem sábio é notável pela sua disciplina, sua moral e responsabilidade e honestidade para com a humanidade. Embora busque por prosperidade material e posição social, não e dependente destas coisas e sempre as abandona por seus princípios morais se for preciso.
O homem é o centro do pensamento confucionísta. O Confucionismo acredita fortemente no poder da melhora da educação pública para formar o caráter de cada indivíduo e também da nação. O pupilo precisa ser guiado pelos bons exemplos do professor. Confucionismo dá grande importância ao princípio que o jovem deve respeitar e honrar seus mais velhos e seus superiores. A benevolência do rei reflete na lealdade dos súditos, o amor de um pai reflete no amor do filho e a afeição das pessoas mais velhas reflete na gratidão e reverência dos mais jovens.
Este efeito mútuo é muito evidente no Kung Fu, como por exemplo no relacionamento entre Sifu (professor) e To-Dai (aluno) ou um Si-Hing (aluno mais velho) e um Si-Dai (aluno mais novo). Isto não é questão de obediência cega; mas sim o fato de cada qual aceitar seu papel e respeitar os demais.


NO KUNG FU, RESUMIDAMENTE:
Budismo - é para a concentração na prática, pelo esforço individual e atitude durante a luta.
Taoísmo - a sabedoria de dar passagem (ser flexível) e a harmonia entre os opostos.
Confucionismo - serve para fortalecer o sentimento mútuo de lealdade e respeito entre aluno e instrutor e pelos métodos de ensino.


FONTE:www.uniaonacionaldekungfu.com.br